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A Pinça Econômica: Dívida Pública e a Lei Jones

Enquanto a Lei Jones encarece tudo o que entra na ilha, a crise da dívida — que chegou a 72 bilhões de dólares — asfixiou a capacidade do governo local de investir em seus próprios cidadãos.

1. A Dívida como Instrumento de Controle (A "Junta")

Diferente dos estados americanos, Porto Rico não podia declarar falência da mesma forma que cidades como Detroit fizeram. Para resolver isso, o Congresso dos EUA aprovou a lei PROMESA em 2016, que criou a Junta de Supervisão e Gestão Financeira (conhecida na ilha apenas como "La Junta").

  • O Problema: A Junta é composta por sete membros não eleitos pelo povo de Porto Rico. Eles têm o poder de sobrepor as decisões do governador e do legislativo da ilha.

  • A Consequência: A prioridade da Junta tem sido pagar os detentores de títulos (muitos deles fundos abutres de Wall Street) em vez de manter serviços essenciais.

2. Austeridade e a Destruição do Setor Público

Para pagar a dívida, a Junta impôs medidas drásticas de austeridade que afetam diretamente a vida dos porto-riquenhos:

  • Educação: Centenas de escolas públicas foram fechadas nos últimos anos.

  • Saúde: Hospitais sofrem com falta de recursos e médicos emigram em massa para os EUA em busca de salários dignos.

  • Infraestrutura: O sucateamento da rede elétrica levou à privatização (LUMA Energy), resultando em contas mais caras e apagões constantes que destroem eletrodomésticos e colocam vidas em risco.

3. O Ciclo Vicioso: Lei Jones + Dívida = Êxodo

Esta é a maior tragédia da crise:

  1. A Lei Jones torna o custo de vida insuportável.

  2. A Dívida/Austeridade destrói os serviços públicos e os empregos.

  3. Resultado: Os porto-riquenhos, que são cidadãos americanos, pegam um avião e se mudam para a Flórida ou Nova York (onde podem votar e têm acesso a salários melhores).

Isso gera uma crise demográfica. A ilha está perdendo sua população jovem e produtiva, restando uma população idosa e vulnerável. O território está sendo "esvaziado" de seu povo para ser "preenchido" por investidores estrangeiros beneficiados por isenções fiscais (como a citada Lei 60).

4. O Argumento da Independência e a Auditoria

Muitos movimentos sociais exigem uma auditoria da dívida, argumentando que grande parte dela foi contraída de forma ilegal ou inconstitucional.

  • Se Porto Rico fosse independente, poderia renegociar essa dívida como uma nação soberana sob leis internacionais, em vez de estar sob o controle de uma Junta imposta por Washington.

  • A soberania permitiria que a ilha parasse de enviar bilhões para Wall Street e começasse a investir na reconstrução da sua própria rede elétrica e na proteção de suas praias.

Resumo do Cenário

Porto Rico vive hoje o que muitos chamam de "Plano de Despejo":

  • As praias são privatizadas para o turismo de luxo.

  • A Lei Jones garante que o lucro do transporte fique com empresas americanas.

  • A Dívida garante que o orçamento da ilha vá para bancos americanos.

  • A Austeridade empurra a população local para fora da ilha.

É por isso que a luta pelas praias, que mencionei no início, não é apenas sobre lazer; é sobre o direito de permanecer na própria terra.

Gostaria que eu detalhasse mais sobre como a privatização da energia (LUMA) tem sido o estopim para os protestos mais recentes, ou talvez sobre o impacto ambiental específico nas praias devido a essa crise?

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