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O Garrote Econômico: Entendendo a Lei Jones em Porto Rico

Com certeza. A Lei Jones (Jones Act), formalmente conhecida como a Lei da Marinha Mercante de 1920, é frequentemente citada como um dos maiores entraves econômicos para Porto Rico e um pilar do seu status colonial.

A Lei Jones exige que todas as mercadorias transportadas por água entre portos dos Estados Unidos sejam levadas em navios que cumpram quatro requisitos:

  1. Construídos nos EUA.

  2. Propriedade de cidadãos americanos.

  3. Operados sob a bandeira dos EUA.

  4. Tripulados por cidadãos ou residentes permanentes dos EUA.

Para uma ilha como Porto Rico, que importa cerca de 85% de tudo o que consome (incluindo alimentos e combustível), as implicações são devastadoras.

1. O Custo de Vida Artificialmente Alto

Como a frota mercante dos EUA é uma das mais caras do mundo para construir e operar, o custo do frete é repassado diretamente ao consumidor porto-riquenho. Estima-se que os produtos em Porto Rico custem pelo menos 20% a 30% mais caro do que em ilhas vizinhas (como as Ilhas Virgens Britânicas ou a República Dominicana), que não estão sujeitas a essa lei.

  • Um carro importado do Japão, por exemplo, não pode vir direto para San Juan de forma barata; ele muitas vezes precisa passar por um porto nos EUA continental e ser transferido para um navio "Jones Act", encarecendo todo o processo.

2. Ineficiência e Isolamento Geográfico

A lei impede que Porto Rico aproveite sua posição estratégica no Caribe. Se a ilha fosse independente ou estivesse isenta da lei, ela poderia se tornar um centro logístico (hub) para toda a região. Atualmente, navios estrangeiros que passam pelo Caribe muitas vezes ignoram Porto Rico porque, se descarregarem lá, a carga subsequente para os EUA teria que seguir regras restritivas.

3. Impacto em Desastres Naturais

O efeito mais cruel da Lei Jones é sentido durante crises. Após o Furacão Maria (2017) e o Furacão Fiona (2022), a ilha precisava desesperadamente de combustível e suprimentos de emergência. Navios estrangeiros com ajuda humanitária ou diesel estavam próximos à costa, mas foram impedidos de atracar devido à lei.

  • Em 2022, um navio da BP carregado com diesel ficou dias parado na costa de Porto Rico enquanto o governo local implorava por uma "isenção" (waiver) de Washington para permitir o desembarque do combustível necessário para hospitais.

4. O Argumento da "Segurança Nacional" vs. Exploração

O governo dos EUA defende a lei alegando que ela mantém uma marinha mercante forte para tempos de guerra. No entanto, críticos argumentam que Porto Rico está, essencialmente, subsidiando a indústria naval americana. A ilha paga bilhões de dólares extras anualmente para sustentar empregos em estados como a Flórida, enquanto sua própria população vive com taxas de pobreza que superam os 40%.

5. A Soberania como Solução

Para os defensores da independência, a revogação da Lei Jones é o primeiro passo para a viabilidade econômica. Sem esse "imposto colonial", Porto Rico poderia:

  • Reduzir drasticamente o preço da cesta básica.

  • Tornar seus produtos de exportação (como café e medicamentos) mais competitivos.

  • Investir a economia gerada no frete em infraestrutura própria, como energia renovável, diminuindo a dependência de combustíveis fósseis importados dos EUA.

A Lei Jones transforma Porto Rico em um mercado cativo. Para muitos boricuas, é a prova definitiva de que a relação com os EUA não é de "parceria", mas de exploração econômica protegida por lei.

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