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Bolsa empresário

Bolsa Empresário onde o discurso ideológico esbarra na realidade dos números

Bem-vindo ao blog Detetive Luz. Nossa missão é iluminar os pontos cegos do debate público, onde o discurso ideológico esbarra na realidade dos números.

Hoje, trazemos um dossiê explosivo. Enquanto as redes sociais são inundadas por críticas ferozes contra o Bolsa Família, o BPC e outros programas sociais, os bastidores do Ministério da Fazenda revelam uma realidade paralela: o "Bolsa Empresário".

Investigamos os 10 perfis de empresários e grupos ligados à direita e ao bolsonarismo que mais se beneficiam de isenções, incentivos e perdões de dívidas, utilizando dados oficiais de 2024 e 2025.


1. Irmãos Batista (Grupo J&F / JBS)

  • Perfil: Embora transitem entre governos, tornaram-se pilares do agronegócio defendido pela bancada bolsonarista. Atacam a "intervenção estatal" na economia, mas são os maiores beneficiários dela.

  • Custo ao Governo: R$ 8,52 bilhões (janeiro de 2024 a maio de 2025).

  • Como utiliza: Isenções de impostos federais que equivalem a 68% do lucro líquido do grupo. O governo abre mão de arrecadar bilhões em créditos de PIS/Cofins e incentivos à exportação para manter a gigante global.

2. Junior Durski (Grupo Madero)

  • Perfil: Crítico feroz de políticas de isolamento e programas assistenciais. Ficou famoso por dizer que a economia não poderia parar por "5 ou 7 mil mortes".

  • Custo ao Governo: R$ 70,9 milhões em 2024.

  • Como utiliza: Líder absoluto no uso do PERSE (Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos). O "patriota" utilizou o programa governamental para zerar tributos federais de sua rede de hambúrgueres de luxo.

3. Salim Mattar (Localiza)

  • Perfil: Fundador da Localiza e ex-secretário de Desestatização de Bolsonaro. Defende que o Estado deve ser "mínimo" e que programas sociais geram dependência.

  • Custo ao Governo: R$ 600 milhões (estimativa de dívida de IPVA em MG) + isenções setoriais bilionárias.

  • Como utiliza: Beneficia-se da "Emenda Salim Mattar" em Minas Gerais, que dispensa locadoras de pagar o complemento de IPVA. Enquanto você paga 4%, as locadoras pagam 1% ou menos graças a manobras fiscais.

4. Luciano Hang (Lojas Havan)

  • Perfil: O maior símbolo do empresariado bolsonarista. Ataca a esquerda e o "custo Brasil" diariamente.

  • Custo ao Governo: R$ 1,5 milhão via PERSE + R$ 160 milhões em dívidas parceladas e contestadas.

  • Como utiliza: Além dos incentivos diretos do PERSE em 2024, a Havan utiliza sistematicamente o parcelamento de dívidas previdenciárias e tributárias (REFIS), pagando o que deve ao Estado em "suaves prestações" enquanto lucra bilhões.

5. Alexandre Grendene (Grendene)

  • Perfil: Grande doador de campanhas da direita e defensor de políticas de austeridade para o povo.

  • Custo ao Governo: R$ 20,4 milhões em 2024.

  • Como utiliza: Incentivos fiscais regionais e federais para produção industrial. Recebe subsídios diretos que reduzem drasticamente o custo de sua operação, financiados pelo contribuinte.

6. Afrânio Barreira (Grupo Coco Bambu)

  • Perfil: Investigado pelo STF no inquérito dos empresários que discutiam um golpe de Estado. Crítico contumaz de programas de esquerda.

  • Custo ao Governo: R$ 1,8 milhão em 2024.

  • Como utiliza: Utilizou o programa PERSE para isenção de impostos federais. O grupo cresceu exponencialmente sob um regime de "ajuda estatal" que ele condena em seus discursos.

7. Rubens Ometto (Cosan / Raízen)

  • Perfil: O maior doador individual para políticos de direita no Brasil.

  • Custo ao Governo: Bilionário em créditos tributários.

  • Como utiliza: A Raízen utiliza créditos de PIS/Cofins e incentivos do RenovaBio. O grupo opera em setores altamente subsidiados, transformando impostos não pagos em dividendos para acionistas e doações eleitorais.

8. Meyer Nigri (Tecnisa)

  • Perfil: Empresário da construção civil e aliado próximo de Bolsonaro.

  • Custo ao Governo: Acesso a créditos subsidiados e desonerações da folha.

  • Como utiliza: O setor imobiliário de alto padrão vive de financiamentos do FGTS e BNDES com juros abaixo do mercado. Nigri defende o corte de gastos sociais, mas sua empresa depende de subsídios habitacionais do governo.

9. Sebastião Bomfim Filho (Centauro)

  • Perfil: Crítico voraz da política econômica da esquerda e entusiasta do liberalismo radical.

  • Custo ao Governo: Beneficiário de isenções federais via desoneração.

  • Como utiliza: O grupo se beneficia da desoneração da folha de pagamento e de regimes especiais de tributação para grandes redes de varejo, custando milhões em arrecadação anual para a Previdência.

10. Jorge Gerdau (Grupo Gerdau)

  • Perfil: Líder do movimento "Brasil Competitivo", que prega eficiência e cortes no Estado.

  • Custo ao Governo: Centenas de milhões em isenções de IPI e energia.

  • Como utiliza: A indústria do aço é uma das mais protegidas por tarifas e subsídios de energia elétrica. Gerdau prega o Estado mínimo para o trabalhador, mas o Estado máximo em proteção de mercado para a siderurgia.


Resumo do Custo Comparativo

Destino do DinheiroValor Anual Aproximado
Renúncias Fiscais para EmpresasR$ 546 Bilhões
Bolsa Família (Programas Sociais)R$ 168 Bilhões

Conclusão do Detetive Luz

A conta não fecha: o empresariado que mais clama por "liberdade" é o que mais depende das algemas de ouro do Tesouro Nacional. O ataque aos pobres e aos programas sociais serve para esconder o fato de que, sem o dinheiro do governo, muitos desses impérios estariam em colapso.

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