Empresas americanas fabricantes de fentanil: O poder por trás do opióide sintético
O fentanil é um opioide sintético extremamente potente, usado legalmente para manejo de dor intensa, mas também é abusado ilegalmente, causando milhares de mortes, especialmente nos EUA.
Para entender quem fabrica esse composto — legalmente ou através de precursores químicos — é preciso olhar para empresas farmacêuticas consolidadas e indústrias químicas que produzem insumos usados pelos traficantes.
Neste artigo, o Detetive Luz reúne os principais atores, localizações, mercados abastecidos e os riscos envolvidos.
O que considerar: fabricação legal vs. produção de precursores
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Fabricantes legais produzem medicamentos com fentanil (injeções, adesivos, sprays, etc.), sob regulação sanitária.
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Já os fabricantes de precursores vendem químicos que não são fentanil puro, mas que permitem sua síntese — muitos desses químicos acabam em laboratórios clandestinos
Principais fabricantes legais
Dados de relatórios de mercado mostram algumas empresas com grande participação no setor legal de fentanil:
| Empresa | País / Sede | Principais produtos ou marcas | Observações principais |
|---|---|---|---|
| Johnson & Johnson | EUA / New Jersey | Adesivos e formulações controladas de fentanil para uso médico | Parte dos produtos para dor intensa, operando sob regulação rígida. |
| Teva Pharmaceutical Industries Ltd. | Israel (com plantas em vários países) | Genéricos de fentanil, várias formulações anestésicas e de dor aguda e crônica. | Já alvo de ações judiciais por sua parte na crise dos opioides. |
| Sinopharm Group | China | Produtos farmacêuticos, fentanil legal para uso hospitalar. | Empresa estatal chinesa, regulada, geralmente focada no mercado interno e exportações farmacêuticas regulares. |
| Alvogen | Internacional (com operações na Ásia, Europa, etc.) | Genéricos de analgésicos, incluindo fentanil injetável ou outras formas controladas. | Atende mercados regulados. |
| Kyowa Kirin Co., Ltd. | Japão | Fentanil em formulações médicas, como adesivos ou soluções controladas. | Foco em produtos de alta especialização |
Regiões de abastecimento
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Estados Unidos: grande destino tanto de produtos legais quanto de fentanil ilícito. As mortes por overdose relacionadas ao fentanil dispararam nos últimos anos. Empresas legalmente estabelecidas abastecem hospitais e prescrições, enquanto cartéis importam precursores.
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México: muitos dos laboratórios clandestinos estão no México, que recebe precursores dos Estados Unidos. Cartéis como o Sinaloa e o CJNG têm papel central.
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Outros países da América Latina também são rotas de trânsito ou consumidores finais de derivados ilícitos.
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Mercado regulado global (Europa, Ásia, outros) compra fentanil legal de empresas como Teva, Sinopharm, Johnson & Johnson, etc.
Desafios e riscos
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Controle e regulação: muitas empresas legais operam dentro das normas, mas o comércio de precursores químicos enfrenta lacunas legais internacionais, especialmente nos Estados Unidos e Canadá, onde várias empresas foram sancionadas ou investigadas.
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Legal x ilegal: o mesmo ingrediente ou químico precursor pode ter uso legítimo, o que torna difícil proibi-lo sem impactar pacientes que dependem de fentanil legal para dores severas.
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Consequências sanitárias: aumento de overdoses, mortalidade e pressão sobre hospitais. Isso gera crises de saúde pública em regiões onde o fentanil ilícito se mistura com remédios falsificados ou vendidos ilegalmente
O fentanil não é fabricado por uma única empresa global secreta, mas sim por uma combinação de fabricantes farmacêuticos legais (que produzem fentanil para uso hospitalar/médico) e por uma rede de empresas químicas que produzem precursores, muitos acusados de alimentar o comércio ilícito.
Países como EUA e México respondem por grande parte do consumo e tráfico, enquanto empresas farmacêutica americana têm sido identificadas repetidamente como fontes de precursores.
Compreender quem fabrica, onde e para quem abastece é essencial para elaborar políticas eficazes de combate à overdose, regulação e controle internacional.
E importante esclarecer com precisão: não existe um “número fixo e público” único que diga quantas empresas farmacêuticas americanas fabricam fentanil, porque a produção dividese entre: fabricantes de marca, fabricantes de genéricos, fornecedores de matérias-primas/precursores e contract manufacturers (CDMOs) que produzem para terceiros.
Ainda assim, dá para responder de forma prática e documentada.
Resposta direta (resumida)
Não há um registro público único com um número fechado, mas as principais empresas que fabricam produtos à base de fentanil para o mercado dos EUA (incluindo patches, injetáveis e genéricos) e que aparecem em relatórios regulatórios e do setor são, entre outras:
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Janssen (Johnson & Johnson) — fabricante histórico do Duragesic® (fentanyl transdérmico).
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Mallinckrodt — produz versões genéricas de sistemas transdérmicos e injetáveis; figura em documentos regulatórios e fichas técnicas.
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Mylan / Viatris — fabricante de versões genéricas do patch (Mylan foi citado por autoridades e em listas de disponibilidade).
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Teva Pharmaceutical — tem e já comercializou sistemas transdérmicos genéricos nos EUA.
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Alvogen, Sandoz e outros produtores de genéricos — aparecem em relatórios de oferta e em fichas de escassez/regulação.
Além desses fabricantes de produtos finais, existem empresas químicas (nacionais e internacionais) que fabricam precursores usados na síntese de fentanil (muitos identificados em investigações sobre tráfico) — e o DEA já identificou dezenas de fornecedores e várias empresas domésticas relacionadas a precursores.
Em documento de 2007 o DEA citou que 8 empresas poderiam fabricar NPP (um precursor) e que 14 empresas domésticas eram fornecedoras de NPP.
Por que não há um número fixo?
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Multinacionais e terceirizados: empresas estrangeiras (Teva, por exemplo) têm plantas nos EUA e contratam CDMOs; contar apenas sedes daria número errado.
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Produtos vs. precursores: fabricar produto farmacêutico (patch, injetável) ≠ fabricar precursores químicos; ambos entram na cadeia do “fentanil”, mas são categorias distintas.
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Contratos e mudanças: empresas entram/saiem do mercado de genéricos, mudam linhas de produção ou terceirizam. Registros públicos (FDA/ASHP/DEA) mostram fornecimento, mas não um “censo” único.
