Dívida dos Estados Unidos e o Risco do Fim do “Privilégio Exorbitante” do Dólar
A dívida pública dos Estados Unidos ultrapassa os US$ 37 trilhões em 2025, um valor impensável para qualquer outro país.
Ainda assim, os EUA continuam a financiar seu déficit sem grandes dificuldades.
O segredo está em um fator-chave: a demanda global pelo dólar e, consequentemente, pelos Títulos do Tesouro Americano.
Enquanto o mundo inteiro utiliza o dólar como principal moeda de reserva, meio de pagamento internacional e referência de precificação de commodities, os EUA conseguem manter juros relativamente baixos e financiar uma dívida crescente.
Mas esse equilíbrio pode ser abalado com o avanço de novas tecnologias de pagamento e a criação das Moedas Digitais de Banco Central (CBDCs).
O Impacto do Pix e as Moedas Digitais de Banco Central (CBDCs)
O Nível Doméstico e o Comércio de Varejo
Ferramentas como o Pix no Brasil revolucionaram os pagamentos internos, eliminando intermediários e reduzindo custos.
Nos EUA, mesmo que um sistema similar fosse adotado, isso não teria impacto direto na dívida federal, já que se trata apenas de transações de varejo.
O verdadeiro risco surge quando esses sistemas começam a se interconectar internacionalmente, permitindo que países.
Impacto do Pix e as Moedas Digitais de Banco Central (CBDCs)
O Nível Doméstico e o Comércio de Varejo
Ferramentas como o Pix no Brasil revolucionaram os pagamentos internos, eliminando intermediários e reduzindo custos.
Nos EUA, mesmo que um sistema similar fosse adotado, isso não teria impacto direto na dívida federal, já que se trata apenas de transações de varejo.
O verdadeiro risco surge quando esses sistemas começam a se interconectar internacionalmente, permitindo que países façam comércio sem usar o dólar e sem passar por redes tradicionais como o SWIFT.
O Nível Internacional: O Risco das CBDCs
Aqui está o grande perigo para o dólar.
As Moedas Digitais de Banco Central (CBDCs) têm o potencial de redesenhar completamente o sistema financeiro global.
Imagine alguns cenários:
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A China usa o e-Yuan para liquidar vendas de petróleo com a Arábia Saudita.
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O Brasil utiliza o Drex para pagar importações da União Europeia diretamente em moeda digital brasileira.
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A Índia adota a rupia digital em acordos de energia com a Rússia.
Esse movimento teria efeitos devastadores para o dólar:
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Redução da Demanda por Reservas em Dólar
Hoje, países acumulam trilhões em dólares e títulos americanos apenas para garantir liquidez em suas transações. Com CBDCs interconectadas, essa necessidade cairia drasticamente. -
Queda na Demanda pelos Títulos do Tesouro
Se os países começarem a vender reservas em dólar, os EUA terão que oferecer juros cada vez maiores para atrair compradores. -
Explosão do Custo da Dívida
O gasto anual com juros já está em torno de US$ 1 trilhão. Uma escalada das taxas poderia transformar o pagamento de juros na maior despesa do governo americano, superando saúde, defesa e previdência.
Sustentação, Não Pagamento
É importante destacar: a dívida dos EUA não é “impagável” no sentido técnico.
O problema é que sua sustentabilidade depende do privilégio exorbitante do dólar.
Se o mundo deixar de usar o dólar como padrão, a crise não viria de um calote, mas sim de um colapso na confiança global.
O que sustenta a dívida é a demanda.
Sem ela, os EUA teriam que encarar sua economia de forma mais realista, sem transferir parte de seus custos ao resto do planeta.
O Futuro: Qual Commodity Será a Primeira a Romper o Dólar?
Historicamente, o petróleo foi o grande pilar do sistema do “petrodólar” desde os anos 1970.
Mas hoje, há sinais de mudanças:
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Petróleo e gás: a China já compra parte do petróleo russo em yuan. Arábia Saudita discute acordos em moedas alternativas.
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Minérios estratégicos (como lítio e cobre): fundamentais para a transição energética, podem ser negociados diretamente em moedas locais, especialmente em países do BRICS.
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Alimentos: Brasil e Argentina já testaram mecanismos de liquidação em moedas próprias no comércio agrícola.
Em resumo: o que sustenta a dívida americana não é a capacidade dos EUA de pagar, mas a confiança no dólar.
O avanço de sistemas de pagamento alternativos como o Pix internacionalizado e as CBDCs pode colocar em xeque esse arranjo e redefinir o equilíbrio de poder global
