Análise de Riscos e Estratégias dos BRICS em Relação à Administração Americana.
A administração americana de Donald Trump sob uma liderança que inclui figuras como Pete Hegseth (secretário de Defesa) e outros membros com tendências assertivas ou até agressivas em política externa representa uma potencial escalada de tensões geopolíticas.
Para os BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), essa configuração traz uma série de riscos que podem impactar sua segurança econômica, política e estratégica.
1. Alvos Potenciais dos EUA para o Uso de Força e Intimidação
- China : Com uma agenda de contenção do crescimento chinês, os EUA podem aumentar avaliações econômicas, intensificar patrulhas no Mar do Sul da China e fomentar alianças regionais (Quad, AUKUS) para conter a influência chinesa. Isso pode afetar rotas comerciais cruciais e impactar a economia global.
- Rússia : A continuidade de políticas de isolamento, como avaliações econômicas e apoio aos aliados da OTAN, manterá o país sob pressão. Um foco em ataques cibernéticos e desinformação também pode ser intensificado.
- Brasil : Embora o Brasil não seja diretamente visto como uma ameaça, uma política mais duradoura em relação ao comércio e às políticas ambientais pode surgir, especialmente se a administração buscar retomar uma agenda protecionista e de desregulamentação que prejudica os interesses ambientais defendidos por parte da comunidade internacional.
- Índia : Apesar de ser vista como uma contrapeso à China, uma relação com oscilações pode ocorrer se a administração americana sentir que a Índia se aproxima mais de aliados russos ou adota políticas que não favorecem os interesses dos EUA.
- África do Sul e Países Menores : Podem ser limitados em fóruns econômicos e políticos para adotar posturas alinhadas aos interesses dos EUA.
2. Riscos Econômicos e Pressões Comerciais
- Tarifas e Sanções : Os EUA podem importar tarifas adicionais a produtos de países dos BRICS, aumentando os custos comerciais. A China seria o alvo principal, mas as políticas podem afetar outros membros de maneira indireta.
- Manipulação de Moeda e Competição Tecnológica : Os EUA podem acusar países como a China e a Índia de manipulação cambial ou práticas de concorrência desleal em tecnológicos, fomentando embargos ou barreiras comerciais.
Estratégias para Neutralizar Tentativas de Intimidação
Fortalecimento de Alianças Internas e Externas :
- Parcerias Comerciais Diversificadas : Ampliar os acordos comerciais entre os membros dos BRICS e com outras nações emergentes pode ajudar a mitigar o impacto da pressão americana.
- Cooperação Tecnológica : Aumentar colaborações em setores como tecnologia, saúde e defesa pode reduzir a dependência de recursos e know-how americanos.
Diplomacia e Pressão Multilateral :
- Uso de Organizações Internacionais : Os BRICS podem usar fóruns como a ONU e o OMC para desafiar legalmente políticas unilaterais dos EUA que afetam o comércio ou a segurança global.
- Coalizões Regionais : Fortalecer a integração com coalizões regionais (como ASEAN e União Africana) pode fornecer um bloco de apoio que amplia as preocupações dos BRICS.
Investimento em Autossuficiência :
- Desenvolvimento de Infraestrutura : Focar em melhorias na infraestrutura interna e nos setores de alta tecnologia pode ajudar a reduzir a dependência de importações dos EUA.
- Políticas de Sustentabilidade : Integrar práticas sustentáveis que atraiam investimentos de outras regiões, aproveitando a crescente valorização global do ESG (Ambiental, Social e Governança).
Resiliência em Segurança Cibernética e Informação :
- Defesa Cibernética : Melhorar as capacidades de defesa cibernética para se proteger contra possíveis ataques dos EUA, um risco em um ambiente global digitalizado.
- Controle Narrativo e Soft Power : Usar plataformas de comunicação para controlar narrativas e contrabalançar a influência cultural e política dos EUA.
A configuração de uma nova administração americana com tendências de uso assertivo de força e influência representa um desafio significativo para os BRICS.
A preparação inclui a necessidade de estratégias proativas de aliança, diversificação econômica e resiliência em segurança cibernética e infraestrutura.
A colaboração inter-regional e o fortalecimento das capacidades internas de cada membro serão essenciais para neutralizar riscos e manter a paz e a estabilidade internacional.
