Grêmio 2025: o erro de mirar Flamengo e Palmeiras e esquecer o resto do caminho
O futebol brasileiro vive, nos últimos anos, uma espécie de anestesia coletiva. Flamengo e Palmeiras chegam com frequência às finais, acumulam títulos, dinheiro e elenco caro — e isso criou uma narrativa perigosa: a ideia de que, para competir, é obrigatório investir milhões e contratar craques badalados. O Grêmio de 2025 surge exatamente no centro desse debate.
Mas a pergunta que poucos dirigentes e técnicos fazem é simples: vale a pena montar um time pensando apenas em vencer Flamengo e Palmeiras, que você enfrenta duas vezes por ano (olhe lá), ou montar um elenco capaz de vencer os adversários que esses dois vencem com regularidade?
O mito do “só ganha quem gasta milhões”
Existe hoje uma obsessão em “copiar” Flamengo e Palmeiras. Presidentes, treinadores, jornalista esportivo, streaming do YouTube parecem ter ficado encantados ou com a síndrome milhões, com esses modelos e acreditam que a única forma de competir é gastar fortunas, endividar e quebrar os clubes de futebol contratar estrelas caras e inflar a folha salarial.
O problema é que essa lógica ignora a realidade do calendário:
Flamengo e Palmeiras não ganham campeonatos apenas vencendo confrontos diretos.
Eles ganham pontuando contra times médios e pequenos.
Eles constroem títulos na regularidade, não no espetáculo.
Enquanto isso, clubes como o Grêmio acabam tropeçando justamente nos jogos que decidem campeonatos.
O Grêmio de 2025 e a escolha estratégica
O elenco do Grêmio em 2025 não precisa ser milionário para ser competitivo. Precisa ser funcional, equilibrado e entrosado. Um time que saiba:
Ganhar jogos fora de casa contra adversários teoricamente menores;
Pontuar com consistência no Brasileirão;
Enfrentar Libertadores e Sul-Americana com maturidade tática;
Não desperdiçar pontos contra equipes que Flamengo e Palmeiras vencem sem alarde.
Perder para Flamengo e Palmeiras pode acontecer. Eles têm mais dinheiro, mais profundidade de elenco e mais poder de decisão. O erro é transformar essas derrotas em desculpa para uma temporada inteira fracassada.
Onde o foco deveria estar
A grande falha de muitos clubes brasileiros — e isso serve como alerta ao Grêmio — é mirar o topo como flamengo e palmeiras e esquecer a base do caminho.
O raciocínio correto deveria ser:
Prefiro perder para Flamengo e Palmeiras;
Do que perder para os mesmos adversários que eles vencem;
Porque é nesses jogos que campeonatos são decididos.
Libertadores, Sul-Americana e Brasileirão não são vencidos apenas com grandes noites contra gigantes. São vencidos com elencos medianos bem montados, que sabem competir em jogos difíceis, feios e pouco glamourosos.
A desculpa financeira não cola mais
Quando o Grêmio — ou qualquer outro clube — perde para times mais fracos, a culpa quase sempre cai no discurso fácil:
“Eles têm mais dinheiro.”
Mas Flamengo e Palmeiras enfrentam os mesmos adversários. Jogam nos mesmos estádios. Pegam os mesmos gramados ruins. Enfrentam o mesmo calendário pesado.
A diferença está na organização, na leitura de jogo, na intensidade e na mentalidade competitiva.
Conclusão
O Grêmio de 2025 precisa fugir do encantamento da síndrome do Flamengo e Palmeiras. Não é sobre imitá-los financeiramente. É sobre superar os adversários que eles superam.
Montar um elenco milionário para tentar bater de frente duas vezes por ano não garante títulos. Montar um time sólido, competitivo e regular garante campanhas longas, consistentes e vencedoras.
Enquanto muitos continuam anestesiados ou com síndrome do milhões, olhando para Flamengo e Palmeiras, o Grêmio tem a chance de acordar — e entender que o caminho do sucesso passa muito mais pelos jogos “esquecidos” do que pelos grandes holofotes.
